Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O brasileiro de Adoniran Barbosa - Cantares de todos nós (XII)



Adoniran, homem tão simples como “os simples” que ele traduzia nas canções, resignava- se diante da “otoridade”, levava fé que “trabalhando duro” dava para comprar uma casinha no periférico bairro de Ermelino e então ter filhos, “dois meus/um de criação” - Isto É independente.

Agüenta a Mão, João

Composição: Adoniran Barbosa / Hervé Clodovil

Não reclama
Contra o temporal
Que derrubou teu barracão
Não reclama
Guenta a mão joão
Com o cibide
Aconteceu coisa pior
Não reclama
Pois a chuva
Só levou a tua cama
Não reclama
Guenta a mão joão
Que amanhã tu levanta
Um barracão muito melhor
C'o cibide coitado
Não te contei?
Tinha muita coisa
A mais no barracão
A enchurrada levou seus
Tamanco e o lampião
E um par de meia que era
De muita estimação
O cibide tá que tá dando
Dó na gente
Anda por aí
Com uma mão atrás
E outra na frente

Esse maravilhoso samba de Adoniran Barbosa - verdadeira crônica paulista - precisa ser ouvido à luz de um tempo em que a influência paternalista do Estado não era tão carregada como tem sido nas últimas décadas.

A letra revela essa solidariedade do povo brasileiro que toma nas suas próprias mãos a resolução dos seus problemas e não se deixa enganar e nem se esconder atrás do discurso de autovitimização. O brasileiro da música de Adoniram consegue ver benção em meio à adversidade, porque sempre haverá alguém mais sofrido do que ele, que precisa da ajuda dele também. 

O brasileiro de Adoniram tem esperança e acredita que amanhã ele será capaz de construir até mesmo um barracão ainda muito melhor - deliciosa expressão da persevrança da alma do brasileiro (daquele tempo?). 

Mas não é só isso: crê em Deus, no futuro, na amizade, ainda que saiba que a chuva, o toró está vindo com vontade (tudo narrado pelo humor quase amargo desse cronista de origem italiana). 

Não apenas a São Paulo é um outro mundo hoje - embora os problemas da cidade ainda continuem os mesmos narrados na música de Adoniran - como as gerações que se seguiram de lá para cá viram mudanças até mesmo na maneira de enfrentar e suportar as mazelas da vida. 

Grande Adoniran Barbosa!

Um pouco mais: Adoniran Barbosa por Antonio Candido (clique aqui).

Um comentário:

Evanir disse...

A vida é magia e encanto.. é preciso preservar a beleza dos nossos corações.
Saber olhar com pureza de alma respirar como se nascêssemos a cada instante!
A felicidade e a Magia é algo, que entra em nossas vidas, com total explêndor.
Hoje sinto que renasci novamente estou muito feliz por isso
estou aqui .
Carinhosamente convido você a ler a postagem do meu blog.
Aquilo que pode parecer pouco para muitos
para mim é tudo de bom que poderia acontecer nessa fase
da minha vida.
Gostaria muito de ler seu comentário no meu blog.
Uma linda semana beijos.
Evanir(EVA)
Parabéns ao casal 20.
Amei conhecer seu blog já estou seguindo vocês.

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