Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A glória do Amor - Cantares de Salomão (XI)

Rosa negra
Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.
2:1

A voz é dela. É a Sulamita que, mais uma vez, revela-nos o que o amor tem causado a ela. Mas o que o amor do amado faz à mulher? Qual o poder de se sentir amada?


O que ela nos diz é que é impossível passar desapercebida pelo amor. A Sulamita é invadida, tomada, dominada, subjugada pelo amor! E para tentar comunicar ao seu amado esse poder que ela tem sentido em si mesma, o poder transformador desse amor, ela se vale de duas imagens: a metáfora construída em torno de duas flores.


Açucena
Há uma histórica controvérsia de quais, precisamente, seriam essas flores. E um pequeno passeio pelas diversas traduções bíblicas desses versos já é suficiente para nos revelar a indecisão quanto à natureza exata de tais flores: rosa, rosa negra, narciso, crócus? E para o lírio? Para o lírio, há outras traduções possíveis: narciso, anêmona escarlate, o lótus-vermelho, a açucena?


Fugirei aos enganos da exegese linguística e me prenderei ao contexto bíblico em que essas palavras aparecem e o significado atribuído a elas pelos profetas Isaías e Oséias. E, assim, retiraremos desses profetas o conteúdo da metáfora apresentada pela mulher amada do Cântico dos Cânticos.


Anêmona de coroa
Havatzélet, que foi traduzida pela Vulgata simplesmente como “flor” (“flor da planície” ao invés de “rosa de Sarom”), aparece como símbolo da restauração da Glória em Sião. Shoshanáh também é símbolo na Bíblia da promessa de que, um dia, Deus restaurará o resplendor de Sião! Veja:

O deserto e o lugar solitário se alegrarão disto; e o ermo exultará e florescerá como a rosa (havatzélet). Abundantemente florescerá, e também jubilará de alegria e cantará; a glória do Líbano se lhe deu, a excelência do Carmelo e Sarom; eles verão a glória do SENHOR, o esplendor do nosso Deus (Isaías 35: 1-2; Fiel).

Eu serei para Israel como o orvalho. Ele florescerá como o lírio (shoshanáh) e lançará as suas raízes como o Líbano (Oséias 14:5; Fiel).

Crócus
Precisamos aqui lembrar dos sentimentos da Sulamita que vimos no capítulo 1. Sentimentos de insegurança, desvalor, falta de amor próprio, preconceito, enfim, sentimentos contra os quais ela já vinha se posicionando. Contudo, vemos que uma mulher que se sente verdadeiramente amada, encontra no amor o caminho possível para a construção de sua imagem e auto-estima. 
 

O amor do noivo, este desejo do amado por ela, tem transformado essa mulher! Agora, ela se levanta no palco desse teatro, desse drama do amor e do desejo cantado para nós, para responder às declarações amorosas dele: “o seu amor é promessa de glórias por vir”! - brada a noiva. O amor que ele revela, a admiração por ela, o desejo que o amado expressa por ela é um poder que a resgata daquele passado de sofrimento e desprezo e que a eleva e a leva a se comparar às promessas de glória de restauração da excelente Sião!


Lótus vermelho
Assim, independente de quais flores específicas sejam as flores desses versos, o fato é que, biblicamente, essas flores escolhidas para compor o buquê da noiva são símbolo da glória que Deus promete trazer de volta para Jerusalém. Ao se comparar a essas mesmas flores, ela responde às declarações do seu amado. O amor dele a faz se sentir exaltada e satisfeita de si mesma! O amor que nasce entre ele e ela é o início de uma vida de glória, exultação e restauração das ruínas que ainda poderiam existir no coração dela. 

Narciso
 

Esta é a mulher que canta no Cântico dos Cânticos – único livro da Bíblia em que somos guiados pela voz feminina. Uma mulher que se abre feito a flor que ela mesma canta. Um livro feminino encravado pelo Espírito Santo em meio a uma biblioteca masculina e patriarcal. E Deus escolheu a mulher para nos falar sobre o poder do amor, da sedução e do erotismo entre um homem e uma mulher. O livro do Cântico dos Cânticos nos falará do amor erótico como nehum outro livro bíblico o fará - nem mesmo os textos do Novo Testamento. 


2 comentários:

Fruto do Espírito disse...

Queridos!

Dá gosto passear pelo seu blog, essa mensagem é linda e me contagiou.
Senti sua falta na minha recente postagem.

Ósculo Santo!

***Lucy Araújo***

Casal 20 disse...

Lucy, bom te ver sempre por aqui.

Estava de viagem, mas já cheguei.

Abraços sempre afetuosos.

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