Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O testemunho de Julio Severo - Cantares alheios (X)

Julio Severo
Em 2006, cheguei ao Rio de Janeiro com minha família, sem recursos e sob perseguição. Sobre mim estava o chamado de denunciar a agenda gay, um chamado que já estava sólido desde a publicação do meu livro O Movimento Homossexual pela Editora Betânia em 1998.
Ter um chamado em qualquer sentido contrário à agenda gay é um risco. Vi, com tristeza, o MOSES se extinguir devido às pressões, perseguições e injustiças sofridas. O MOSES (Movimento pela Sexualidade Sadia), uma organização fundada por meu amigo João Luiz Santolin, tinha como objetivo oferecer esperança aos homossexuais.
A mídia nunca teve interesse em fazer uma cobertura positiva dessa importante organização evangélica. Contudo, quando um dos líderes do MOSES se desviou do Evangelho voltando ao homossexualismo, a revista Época, da Globo, prontamente se interessou e se lançou como um lobo em cima de uma presa inocente. O MOSES, da noite para o dia, se tornou vítima de infâmia e assassinato de caráter.
Eis a lição moral: Qualquer mínimo problema é motivo suficiente para a mídia esquerdista trucidar pessoas que se identificam de alguma forma com valores conservadores. Normalmente, se um médico não consegue curar um ou dois pacientes, a mídia não o lincha, pois há também pacientes que foram curados. Da mesma forma, quando um jovem drogado recai depois de um período de internação em clínica de reabilitação, a mídia não ataca a clínica, “noticiando” que o tratamento contra as drogas é inútil.
As pessoas podem se desviar de qualquer coisa: de seus votos conjugais, de seus contratos, de suas empresas, de seus grupos e até do barbeiro da esquina, sem provocar indignações da imprensa.
Mas quando um homem, que se tornou cristão, volta ao pecado homossexual, a mídia esquerdista não perdoa os cristãos, culpando-os de proclamar uma esperança desnecessária para um problema que, para eles, não existe. Assim, um mínimo desvio é o suficiente para a imprensa esquerdista inchar ou até mesmo inventar um escândalo contra os cristãos.
Esse quase foi o meu caso no Rio de Janeiro. Sabendo de minhas dificuldades, um famoso político evangélico se ofereceu para me dar um “auxílio”. A proposta era simples: eu matricularia meus filhos na escola e receberia pelos filhos matriculados uma “ajuda financeira” dele.
Era uma tentação, pois minha família precisava de assistência e passei muitas humilhações no Rio. Apesar de que todos diziam que meu trabalho era muito importante, poucos estavam dispostos a colaborar. Entretanto, permaneci fiel à minha convicção de que o melhor lugar para educar crianças é o lar. Então, respondi ao político que eu nunca poderia matricular meus filhos em escola, pois sou adepto do homeschooling. Mas ele me tranquilizou dizendo que a matrícula seria mera formalidade, e que eu jamais precisaria levar meus filhos à escola. Ele deixou claro que queria apenas me “ajudar”.
Mas não me senti em paz com essa proposta, por mais generosa e inocente que parecesse, de modo que a recusei.
Pouco tempo depois, esse político virou manchete com vários escândalos, inclusive de um esquema onde ele desembolsava dinheiro com a “matrícula” de crianças dos outros na escola.
De acordo com a imprensa, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) destina cerca de um salário mínimo para cada dependente de funcionário que esteja estudando. É o auxílio-educação. Quanto maior o número de filhos matriculados, maior o número de auxílios-educação.
Vários deputados descobriram que esse dinheiro podia ser desviado para seus bolsos, num escândalo que acabou se chamando “bolsa-fraude”, que resultou num prejuízo de mais de R$ 3 milhões dos cofres públicos do Rio.
O político que queria me “ajudar” não conseguiu minha família, mas ele conseguiu famílias que totalizaram dezenas de dependentes, cada um recebendo cerca de um salário mínimo, num total de R$ 31 mil reais por mês.
O “bonzinho” político evangélico fazia matrículas geralmente fantasmas, ganhando uma grande bolada à custa das famílias que haviam entrado no esquema dele.
Portanto, eu não perdi nada em recusar. Deus usou outras pessoas que, sem exigir de mim participação em esquemas de corrupção, foram verdadeiros anjos de socorro para mim no Rio. E ganhei outras bênçãos e livramentos por ter rejeitado a “ajuda” do político evangélico. Recentemente, o dono do tabloide sensacionalista Genizah usou seu site Observador Cristão para forjar com seus peões várias acusações contra mim, com base na hipótese de que meus filhos teriam estudado numa escola de Niterói.
Estou certo de que se eu tivesse matriculado, ainda que apenas por inocente simbolismo e necessidade, meus filhos na escola para receber dinheiro de um esquema político do qual eu não tinha a mínima ideia, meus caluniadores estariam hoje cantando vitória, dizendo: “Temos provas concretas de que Julio Severo matriculou seus filhos!” Do mesmo modo, a mídia esquerdista não me perdoaria, destacando em manchete o nome de meus filhos, se eu os tivesse matriculado no esquema do pastor-político evangélico.
No entanto, Deus graciosamente tem me protegido de maldades e ataques de uma imprensa esquerdista secular e evangélica que faria uso de qualquer recurso para destruir meu chamado. Além disso, aprendi muito com minha estadia no Rio.
Quanto ao político evangélico, assim como Lula, ele está conseguindo sobreviver aos seus escândalos políticos. Num Brasil imerso em corrupção, um político corrupto, seja evangélico ou ateu, nada à vontade no mar de lama e sujeira. Com Lula como exemplo e campeão de “natação” no Brasil, toda sujeira é possível para qualquer político ganancioso.
No meu caso, creio que tudo é possível para Deus e que tudo é possível para quem tem fé. É por tal razão que, ao optar pelo homeschooling, nado contra a avassaladora maré do estatismo que exige o controle total das crianças e sua educação, correndo riscos com um Estado que é um monstro para inocentes famílias que dão aos filhos educação escolar em casa, mas foi gentil e bondoso com Cesare Battisti, terrorista comunista condenado por quatro assassinatos na Itália.
A mídia esquerdista secular ou evangélica já sabe que educo meus filhos em casa — prática ilegal e “criminosa” no Brasil. Daí, para os meus inimigos e para as leis forjadas por mentes esquerdistas e criminosas, sou tecnicamente um “criminoso”.
Mas seja diante de leis iníquas, ou diante de políticos ou sites evangélicos que são amantes de iniquidades e da mentira, para mim é mais importante obedecer a Deus do que aos homens.
Por isso, não me prostro diante do Estado quando ele quer meus filhos em seu altar, e não cedo aos políticos evangélicos que vivem desse altar. 
TÍtulo Original deste texto: Como escapei de um escândalo político no Rio.
Um Brasil evangélico?

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