Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Aitofel - Cantares da Felicidade (XII)



Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre;
o SENHOR o livrará no dia do mal.
Salmo 41:1



Davi? Davi? O que fizeram com teu coração?... Eu compreendo teu grito, Davi. Eu ouço tuas lamentações vindas das entranhas de tuas tristezas. Davi, o que fizeram com teu coração?!

Eu ouço os teus gemidos: “Será que eles não sabem?”, tu indagas perplexo. “Será que eles não sabem que a felicidade está no socorro ao pobre, ao necessitado, ao desvalido, ao fraco e indigente?”, questionas confuso de cima de teu leito. "Será que as gentes não sabem que a felicidade virá sobre os que auxiliam aqueles que se encontram incapazes de lutar, de se defender a si mesmos?", insistes.

Onde estão teus amigos, Davi? Onde estão teus irmãos? Por isso, teus uivos na noite. Já não chamas nem pelos amigos, porque estes não vêm. Já não chamas nem pelos irmãos, porque estes não há. Apelas à misericórdia, à compaixão, à caridade alheia, dizendo que a felicidade será encontrada por quem te socorrer, por quem se debruçar para limpar tuas lágrimas. Apelas à convicção de que Deus retribuirá a quem conceder a ti algum afeto, algum carinho, alguma compreensão. Mas, Davi, não adiantarão teus apelos, teus argumentos, tua hermenêutica, porque teus amigos não vêm. Não adiantam as promessas de que Deus os livrará no dia mal, ou dizer que Deus irá retribuir com proteção, com vida, com felicidade. Inútil convencê-los de que Deus não os entregará na mão dos inimigos e nem que eles terão uma sorte melhor do que a tua... Eles não virão.

Mas teus inimigos vieram. Os caluniosos, os mentirosos, os hipócritas, os vampiros vieram todos ao teu leito e se derramaram sobre ti e, ao saírem, falaram o mal contra ti. Teus irmãos não vieram, entretanto teus inimigos, sim! Os que te odeiam estão à beira do teu leito e eles riem da tua miséria e se deleitam na tua desgraça: “Caiu sobre ele uma praga do inferno”! É o que os abutres dizem da carniça enquanto a comem. Eles não desejam tua melhora, teu reestabelecimento, Davi. E o veneno, a peçonha com que te embebedam a cama é o riso a quem foi traído pelo próprio amigo! Nem foram eles, Davi. Nem foi o diabo ou Satanás quem te preparou a cama de tua ruína. Não foram reis e nem príncipes inimigos, não foram quaisquer potestades ou principados, nem sequer foram os estrategistas deste mundo tenebroso... Foi teu amigo íntimo. Aquele que comia do teu pão, aquele em quem confiavas, aquele a quem pedias conselhos – este foi o que levantou o calcanhar contra ti. 

Davi, foi Aitofel, o teu conselheiro. Ele que ouvia as tuas confissões, sabia das tuas dúvidas, dos teus receios, das tuas fragilidades – o que tomava as refeições contigo foi quem te traiu! Ele causou abominação na terra – violentou o teu poder e a tua intimidade: fez com que teu filho fosse deitar com tuas mulheres!... Eis que Aitofel - outrora chamado por ti de "meu amigo de paz" - levanta um exército para te matar!

Davi, suplica a Deus para que te levantes logo da cama de tuas vagas procelosas. Ergue-te de tuas mágoas. Suba de sob o mar de tuas amaguras. Declara ao teu Deus: “Que meus inimigos não triunfem sobre mim - nisto saberei que tens, ó Deus, prazer em mim”!

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