Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Diálogo ou dueto? - Cantares de Salomão (X)



(Ela) - Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume. O meu amado é para mim como um ramalhete de mirra, posto entre os meus seios. Como um ramalhete de hena nas vinhas de Engedi é para mim o meu amado.
(Ele) - Eis que és formosa, ó meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas.
(Ela) - Eis que és formoso, ó amado meu, e também amável; o nosso leito é verde.
(Ele) - As traves da nossa casa são de cedro, as nossas varandas de cipreste.
(Ela) - Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.
(Ele) - Qual o lírio entre os espinhos, tal é meu amor entre as filhas.
(Ela)- Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos; desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar. Levou-me à casa do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor. Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque desfaleço de amor. A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abrace.
(1:12- 2:6; Fiel)

O amor é mais do que simples diálogos. E compreender isso é o ponto central do livro de Cantares: o livro é um canto, uma ardente música, uma obra a dois – os cantos, os elogios, as juras de amor, a cumplicidade entre o noivo e a noiva de Cantares conseguem exceder o diálogo e transcendê-lo até sua forma mais apropriada ao amor: o dueto! 
 
O diálogo já nasce comprometido por causa da sua própria natureza desafiante. O diálogo foi o instrumento dos filósofos, dos grandes retóricos, dos sofistas, que souberam muito bem usá-lo com o fim de convencer seus oponentes. Diálogos correm o sério risco de ser mal interpretados, mal compreendidos. Não deve ser essa a postura que enlaça os cônjuges. 
 
O dueto - ao contrário do que pode ocorrer com o diálogo - é uma composição para que dois a possam executar. Talvez o dueto seja o diálogo despido de suas possibilidades de imposição, manipulação e mascaração diante do outro! Enquanto o diálogo possa se transmutar em sermão, em monólogo, em confrontação, sem o empenho positivo e favorável de uma das partes jamais haverá o dueto.

Dueto é cooperação. Uma partitura composta pelo Maestro ou uma coreografia elaborada pelo Artista para que seja cantada ou dançada a dois. Para que tudo dê certo, é necessário que haja o acordo: que alguém se deixe levar, enquanto o outro o guia segurando-lhe pela cintura. É imprescindível que haja ensaio: a partitura ou a coreografia já estão totalmente prontas, mas os dois – o marido e a esposa – são bailarinos que precisam se conhecer, são intérpretes dessa mesma vida e, por isso, há de se saber de suas possibilidades e limitações individuais, conhecer, afinal, o que os trouxe até ali. Precisam, também, fazer o dever de casa: estudar juntos todos os detalhes dessa partitura ou coreografia, conhecer verdadeiramente seu Autor. Tristes são os que exigem que o amor venha como um espetáculo consumado... O amor é a arte do ensaio!

No casamento, portanto, é preciso acertar o passo, esperar pelo outro, estar atento à deixa, improvisar quando o cônjuge esquecer a própria fala. É preciso aprender a parar, recomeçar, transpirar, chorar, sangrar como sangram os pés dos melhores bailarinos! Casamento – vejam! - também é disciplina. O dueto é duas pessoas envolvidas e empenhadas, esforçando-se e entregando o melhor de si pela glória do resultado final!

Enfim, o matrimônio é a obra genial do Artífice e, por isso mesmo, precisamos dar o melhor de nós mesmos para que esse espetáculo seja digno do Seu criador!

Assim o dueto pode ser um encontro inusitado de dois instrumentos numa interpretação maravilhosa e criativa. Como ilustração de tudo o que foi escrito aqui, deixo a belíssima obra "nightclub 1960" interpretada pelo dueto inusitado e festivo entre uma flauta de pã e um violão, que cooperam para nos revelar toda a beleza dessa peça do mestre Astor Piazolla. O convite de Cantares é que nossos casamentos expressem toda a beleza do Deus que nos uniu - um dueto entre um homem e uma mulher para celebrar a Glória dAquele que compôs a obra da nossa aliança.


Um comentário:

Fruto do Espírito disse...

Queridos olha eu de novo aqui!

Estarei com muita honra, divulgando o seu blog no meu espaço, ficaria feliz se também divulgasse o meu.
Juntos evangelizando o mundo... através da Net.

Ósculo Santo!

***Lucy Araújo***

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