Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A beleza de cantares e a "beleza americana" - Cantares de Salomão (IX)

... o nosso leito é verde.
As traves da nossa casa são de cedro, as nossas varandas de cipreste.
(Ct 1: 16b e 17)



O convite à vida, eis o que é o casamento. Esse leito viçoso, verde, pleno de vida e de gozo!

Paradoxalmente, impressiona ver como a vida sexual está tão ligada à morte na nossa sociedade, quando, biblicamente, ela é um projeto de vida para o casal.

As aulas de educação sexual nas escolas gastam a maior parte do seu tempo ensinando os púberes aprendizes a se defender da morte: ensina-se o uso correto da camisinha, enquanto são apresentados os dados estatísticos de contágio e morte pelo vírus do HIV e demais dst's; fala-se, ainda, sobre estupro, assédio, violência, divórcio, incesto, a dor dos filhos de famílias sucessivas, traição, perversões, bizarrices e tantas outras experiências de morte que fariam corar de vergonha os antigos habitantes de Sodoma e Gomorra.

Lembro de uma edição antiga de um jornal brasiliense em que havia uma reportagem sobre adereços usados para disfarçar certas carências físicas (sutiãs e calcinhas com enchimento, etc). O que me chamou a atenção não foi o uso em si de tais adereços, mas sim o desenho que ilustrava aquela reportagem. Era um desenho em tons de roxo, que tomava praticamente toda a folha do jornal e que mostrava, ao fundo, um homem deitado numa cama à espera de uma mulher. Em primeiro plano, no desenho, havia essa mulher que, sem graça, tirava seu sutiã com farto enchimento de espuma. O desenho era forte e passava muito bem a atmosfera deprimente em que essa mulher se encontrava. Ela estava cabisbaixa, olhava de soslaio, sem graça, porque seria revelada ali, na verdade do quarto, que tudo não passara apenas de uma falsa propaganda. Chegara a hora de retirar as máscaras.

Outra história. Estávamos eu e meu amigo, em minha juventude pregressa, sentados à mesa de um bar. Ele se levanta e logo vem uma menina sentar ao meu lado. Ela era quase nada atraente aos meus padrões da época, fosse física ou intelectualmente, entretanto seu rosto era marcado  por dois lindos olhos azuis, acerca dos quais não me furtei a perguntar. Quando meu amigo retorna, ela se retira. Ele me confessa: "Que olhos azuis lindos daquela menina"! Parei, olhei para ele e estraguei sua admiração: "'É lente de contato"! Nós rimos. Assustou-nos e nos fez muito mal que a única coisa admirável que alguém pudesse oferecer de si mesmo fosse falso, propaganda enganosa, um adereço, um band-aid para cobrir a ferida de uma alma vazia... Ficamos com aquela estranha sensação de tudo realmente ser apenas vaidade, vento e nada mais. Olhei em volta e pensei o que mais estávamos escondendo uns dos outros, personagens soturnos de um leilão de aparências em busca da melhor oferta que valorizasse aquela nossa existenciazinha.

Lembro-me do filme "Beleza americana". Sei que é um filme que nem todos podem assistir ("tema adulto tratado com impropriedade, linguagem obscena, etc"). Contudo, enquanto escrevo estas linhas, é inevitável lembrar que o filme trata exatamente sobre o tema deste post. No filme, todos os personagens não são o que aparentam ser. Tudo é falsa propaganda, tudo é plástico, tudo é aparência, é vaidade e vento sobre o qual jamais poderemos nos apoiar. 

A vida, a sexualidade e a espiritualidade fast-food e a liberdade com promessas de satisfação imediata que o mundo tem oferecido, tudo isso é pura "beleza americana", uma tênue cortina que se rasga ao mínimo toque da vida como ela é. Cantares não nos quer assim. Deus quer resgatar uma vida conjugal que não se esconda por trás de máscaras e maquiagens. Enquanto a proposta do mundo é uma frágil ilusão, o matrimônio cristão é um chamado de Deus para a construção de uma casa fortemente alicerçada na verdade.

O chamado do amor é para um leito viçoso, verde, vivo, verdadeiro. O arauto do amor nos chama à verdade firme. Um convite que nos leva a uma casa sustentada por cedros e ornamentada por ciprestes. Enfim, em Cristo, o resgate de um tempo edílico em que um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam.

9 comentários:

disse...

Deus quer resgatar uma vida conjugal que não se esconda por trás de máscaras e maquiagens. Enquanto a proposta do mundo é uma frágil ilusão, o matrimônio cristão é um chamado de Deus para a construção de uma casa fortemente alicerçada na verdade.

O chamado do amor é para um leito viçoso, verde, vivo, verdadeiro. O arauto do amor nos chama à verdade firme. Um convite que nos leva a uma casa sustentada por cedros e ornamentada por ciprestes. Enfim, em Cristo, o resgate de um tempo edílico em que um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam.

Amém!!

Casal 20 disse...

Rô, amiga, que bom te ver por aqui. Agora sim podemos dizer que estamos retornando à Blogosfera.

Abraços sempre muito afetuosos.

disse...

Muito bom ter vocês de volta em casa rsss.
Paz seja contigo e sua família Fabio.

Cacá - José Cláudio disse...

Tudo tem parecido tão artificial que afeta os verdadeiros pilares da vida. O amor, por exemplo, já está se tornando uma quse mercadoria e nessse sentido, precisa de acessórios, enfeites, máscaras, pois as pessoas já não se assumem tal como são em estado de natureza humana. Um horror.

Por outro lado, uma beleza é ver vocês aqui de volta. Meu abraço de boas vindas. Paz e bem.

CORAÇÃO QUE PULSA disse...

FÁBIO! ZOINHO! que saudade de vocês!
Bem vindos...

"Cortina que se rasga ao mínimo toque da vida como ela é."

Amigo, o pior é que a sociedade nos impoe a usarmos estas mácaras.
É UM INFERNO...Queria tanto poder envelhecer como minha mãe...
Cabelos brancos, pele com marcas do tempo.EU QUERO SER LIVRE DE MÁSCARAS.
Que olhem o corpo e vejam o CORAÇÃO.
Um grande abraço e fiquem com DEUS.

Casal 20 disse...

Clélia!

Saudades!

A pressão é grande, minha amiga.

Mas que a beleza de cantares em nós possa transbordar!

Abraços sempre muito afetuosos.

Casal 20 disse...

Grande Cacá, saudades!

Grandes são as verdades que disseste!

Estamos juntos mais uma vez.

Abraços sempre muito afetuosos, meu amigo.

Tatiana disse...

E que poder tem um delicioso comentário...rs...vim correndo conhecer a dona!!!!
Olha amiga, acho que por mais artificialidades(existe?) que se use, um dia a mascara acaba caindo!!
Enquanto forem sutiãs e lentes ta tudo certo, o problema é quando envolve caráter(ou a falta dele)!!!
Adorei vir aqui!!
Beijocas!!!

helena disse...

Que que vocês voltaram amigos! obrigado pela visita no meu blog! que Deus continue vos abençoando em nome de Jesus.

Abraços sempre afetuoso a vocês!

Ah! achei o post excente.

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