Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O espectador na platéia - Cantares para ela mesma (VII)


Para L.R.


Ver-te viver quase inadvertidamente,
causando a vera inveja nessas gentes,
porque sejas bela e nem te apercebes
do monstro de olhos verdes no teatro

que verbera, verbum ad verbum, o nó
do ciúme ou da inveja, seja o que seja,
mas incomodado e arredio e agressivo
por ver que a Vida versa a ti em poesia.

Neste espetáculo privado, o público vê
a mímese da verdade do amor verídico,
que canto veraz em sentimento idílico,
mas, na audição, Iago trama teu revés: 

A efígie aos teus pés é esse monstro, que
zomba do próprio alimento de que vive...
Por isso, amor, ouça essa minha sentença:
à espreita, na platéia, a invídia nos assiste!

F. R.

Leia também nosso texto no Blog da Rô, clique em cima do título:
A FACE OCULTA DO MAL (UMA EXPERIÊNCIA DE LIBERTAÇÃO)

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