Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Perfumes - Cantares de Salomão (VII)

Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume.
O meu amado é para mim como um ramalhete de mirra,
posto entre os meus seios.
Como um ramalhete de hena nas vinhas de Engedi é para mim o meu amado.
(Ct 1: 12-14; Fiel)



Mas uma vez, ela compara seu noivo ao rei. Mas um homem que tanto a valoriza e  anuncia os versos e os presentes que lhe dará, que mulher não o diferenciará na multidão? À presença dele, exala-se o perfume dela. O nardo era importado da região das Índias para a fabricação de um óleo aromático de grande valor econômico. Ela se apresenta diante de seu amado e ela exala o perfume do nardo. Aqui, novamente, teremos um turbilhão de sensações típico do encontro entre os apaixonados: a admiração dela por ele, o perfume que ela exala e espera que ele sinta; a mirra e o ramalhete de hena nas vinhas de Engedi, analogia do noivo.

O amor erótico, sensível e desejoso dela derrama-se em versos sobre ele. Uma mulher que não se envergonha de abrir o coração e dizer claramente sobre os desejos do seu próprio corpo. A liberdade de sentir e expressar ao noivo os anseios que a envolve. Ela, o nardo. Ele, a mirra e o ramalhete de hena. O encontro dessas especiarias aromáticas presentes nas bodas dos antigos. A mirra tem um poder simbólico muito forte, pois tanto assinala a vida como a morte. Era o óleo também usado nos embalsamentos. O odor que falava de um percurso que deveria ser atravessado - morte e ressurreição! Mais uma vez a Páscoa, festa da passagem da morte para a vida - o símbolo para o casamento como ressurreição. Eros e Psique postos juntos entre os seios dela – a tensão do amor – já que a mirra também era um estimulante usado na época. Todas essas imagens coloridas unem-se no cortejo dos noivos.

Ela, o nardo. Ele, o ramalhete de hena nas vinhas de Engedi. A hena com seu cheiro forte, que entra, atravessa, exarceba o ambiente! O oásis de Engedi às margens do Mar Morto, região geográfica de difícil acesso, mas, se ela enfrentar os obstáculos que há, poderá, enfim, satisfazer-se nesse jardim de delícias, que é o seu noivo: destile desta imagem o melhor do perfume que ela tem a oferecer...

3 comentários:

disse...

Lindo texto Casal 20.
"que mulher não o diferenciará na multidão?" Sendo tão valorizada não tem como não conhece-lo. Muito bom!

Rita disse...

Paz!
Amei!
Nada como uma grata leitura para começar o dia!!
Abraços,e que o Eterno os abençoe!

helena disse...

Vim aqui desejar a vocês meus amigos uma Feliz Páscoa!

Muito bom o texto! amei!

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