Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

terça-feira, 29 de março de 2011

Língua em Cultura - tendências modernas...

Abstracionismo
Como já disse em outro post, todos os dias recebo a visita de meus alunos estrangeiros aqui em casa. São jovens com seus 15, 16 , 17 anos e que se encontram, por força das circunstâncias, lançados numa Escola estrangeira, que é a brasileira, num curso noturno de ensino público.
Cubismo

Imagine como é heterogênea essa sala de aula frequentada por eles: homens e mulheres bem mais velhos, brasileiros falantes do português e que retornaram depois de seus casamentos desfeitos, depois de seus arrependimentos tardios e de sonhos recuperados. Além dessa miscelânea nacional, meus alunos têm como companheiros de sala outros jovens iguais a eles, também estrangeiros, não falantes de português, mas, imaginem, cujas línguas diferem das línguas desses meus alunos também!

Expressionismo
Contudo, vocês acham que eles se intimidam? Nada disso. Religiosamente, aparecem aqui em casa com suas dúvidas e perturbações. Eles são indígenas, que saíram de sua aldeia para acompanhar seus pais, que vieram por motivos de saúde ou financeiro. E, agora, na cidade, querem frequentar a escola que já vinham frequentando na aldeia. Estão todos na 8ª série. 

Fauvismo
Matemática, decididamente, não é obstáculo nenhum para eles. Dominam a linguagem desta matéria de uma maneira muito melhor do que eu dominava na idade deles. Todavia, a leitura, o mundo que os cerca, a escrita, as figuras de linguagem, a geopolítica, enfim, há tantas coisas diversas e novas para eles! Mas, como disse, eles não se intimidam, ainda que estejam estudando numa escola que não se encontra nem um pouco preparada para receber tamanha diversidade cultural em sua sala de aula. 

Futurismo
Eles chegam aqui e me mostram seus cadernos, fazemos leituras e, com mais tempo que os professores da Escola, paro e vou me desdobrando para explicar algumas coisas que as percebo quase que inexplicáveis. Por exemplo, as tendências modernas que assolaram a Europa na virada do século XIX para o XX. O professor passou, vai cair na prova, é matéria, tem trabalho para entregar.

Bem, por onde começamos? Nada melhor do que um mapa-múndi. É preciso mostrar que lugar é esse chamado Europa e seus povos e culturas tão dessemelhantes. No mapa, aponto para lá e para aqui de onde eles vieram. "Igual a vocês", arrisco explicar aos meus alunos. "As pessoas pensam que os índios são todos um povo só, mas não é verdade, vocês são mais de 200 povos diferentes, que falam mais de 180 línguas diferentes, espalhados por esse Brasil já tão diverso. Com o caraíba (homem branco) é a mesma coisa. Vocês já sabem que caraíba não é tudo igual: somos brasileiros, franceses, americanos, alemães...". Isto, eles sabem bem. Há muitos turistas visitando suas aldeias todos os anos para conhecerem suas festas.

Surrealismo
Mas e as tais tendências modernas? Imagine! Estava ali, esforçando-me na língua deles, catando algumas palavras que pudesse trazer à mente algumas coisas próximas a eles, "tentando preparar aquele omelete sem precisar quebrar a casca". Finalmente, disse que as tendências modernas eram como os povos indígenas, em que cada um tem a sua arte própria. Um povo era especialista em fazer panelas de barro, outro em fazer um famoso colar; outro, ainda, era especialista em esculpir bancos de madeira (lindos!), então, com as tendências modernas da Europa seria melhor se eles percebessem dessa mesma maneira: cada escola, um povo diferente, com expressões artísticas (pintura, escultura, poesia) diferentes umas das outras. Iguais a eles. E assim continuei conversando e mostrando os quadros, as esculturas, as artes e suas diferenças. 

Naquela tarde, redescobri, junto com meus alunos, como somos todos tão diferentes e tão semelhantes. Esta é a diversidade criativa do meu Deus. Este post é tão somente uma declaração de amor à multiforme sabedoria do meu Deus na Sua criação. Amém.

7 comentários:

Cacá - José Cláudio disse...

Somos únicos na diversidade. Isso é o ideal de convivência da humanidade, Fábio. Seu texto é um libelo a isso, inclusive. Quiséramos que fosse respeitada esta multiculturalidade (neologismo meu? rsrs). Muito bom! Abraço grande. paz e bem.

disse...

Maravilhoso esta semelhança não é??
Legal saber que estão sendo ensinados e que podemos ajuda-los de uma forma ou de outra. Mas eu te pergunto, e quanto a sua cultura, não se pode mexer neste aspecto?
Paz, adorei o texto!

Casal 20 disse...

Cacá!

Obrigado, querido.

Caminhamos nesta estrada da mútua compreensão para a excelência de todos, enquanto possível.

Abraços sempre afetuosos.



Rô, querida!

Como já nos dizia o antropólogo Lévis-Strauss, só de ver, encontrar o outro, diferente de mim, já há alteração em ambos!

Inevitável que cresçamos juntos.

Abraços sempre afetuosos.

Raquel disse...

Poxa vida.. que legal. E é tão bom saber que não sou apenas eu a achar que ensinar é uma coisa bem gostosa e muito difícil. Fábio.. valeu mesmo por compartilhar este momento aqui no blog! Deus te abeçoe. Beijos nas meninas e na Lú.

Raquel Burjack

Ligian disse...

Que trabalho lindo!
Deus continue te abençoando e usando dessa forma!
Através dessa diversidade, há sempre maneira de falar de Jesus e da perfeição de nosso Deus!
Bjim!

Fabi Ribas disse...

Olá..
Primeiro lugar parabêns pela sabedoria de relacionar o carnaíba com os próprios índios, com suas diversidades tão conhecida deles.... Acho q eu n teria essa luz...Enfim, é mto bom poder atentar pra estas coisas, q são absolutamentes óbvias, mais q nunca pensamos; A não ser pelos seus post.... obrigada por abrir a minha mente nesse sentido... bjinhos em todos aí.. mtas saudades

Casal 20 disse...

Raquel!
Muito legal te ver por aqui.
Volte sempre, querida.


Ligian! Verdade, amiga. É uma benção demonstrar o amor de Deus a outros povos.


Prima! Cada coisa, não? São umas ideias que surgem assim na hora. Coisa de Deus mesmo.

Abraços muito afetuosos nas três!

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