Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 9 de março de 2011

Jesus segundo Bruno Tolentino


O Cristo não é
um belo episódio
da história ou da fé:

nem o clavicórdio
nos dedos da luz,
nem o monocórdio

chamado da Cruz.
O crucificado
chamado Jesus

é o encontro marcado
entre a solidão
e o significado

do teu coração:
de um lado teu medo,
teu ódio, teu não;

de outro o segredo
com seu cofre aberto,
onde o teu degredo,

onde o teu deserto,
vão morrer, mas vão
morrer muito perto

da ressurreição.



As horas de Katharina. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 180

6 comentários:

Rita disse...

Paz,Bom dia!!

Belo poema, expressão da verdade,suave e profundo.
...de um lado teu medo,teu ódio,teu não...

...DIGO EU...do outro o vazio de uma vida sombria,gritando perdão,perdida sem rumo buscando salvação...
só Jesus mesmo é nosso TUDO!!

Abraço amados, que o Eterno os guarde no Seu nome santo,graça e paz!!

mbgandra disse...

Lindo. Bruno Tolentino era demais.

Casal 20 disse...

Rita! Paz, querida.

Realmente belo poema. Jogo lindo com as palavras. Merece ser mais conhecido. Grande poeta da língua.

Abraços sempre afetuosos.

Casal 20 disse...

Marthinha! Benção recebermos tão ilustre amiga aqui na nossa casa!

Esta casa é sua. Volte sempre!

Bruno é um poeta maravilhoso. Precisamos divulgá-lo, pois ele e sua poesia eleva, transcende.

Abraços sempre afetuosos.

Nair Morbeck Sobrinha disse...

Olá passando para conhecer seu blog, amei..já estou seguindo..será uma alegria sua visitinha.
Belos e lindos posts

http://nairmorbeck.blogspot.com/
http://naimorbeck.blogspot.com/

Jorge Fernandes Isah disse...

Fábio,

gosto do Bruno Tolentino, mas tenho de lê-lo mais. Esse poema é realmente de uma beleza ímpar, a musicalidade e cadência nas rimas, e a estrutura simples e quase retilínea dos versos, dá a ideia de uma metrificação rigorosa.

Como sou cru em métrica [ainda vou comprar um livro que explique isso corretamente. Se você tiver uma dica, me avise], não dá para dizer qual o tipo que ele usou; mas pela musicalidade, é coisa de gênio.

Parabéns pelo achado!

Vou republicá-lo no "Eliot, Cowper & Outros", indicando o Casal 20 como fonte.

Grande e forte abraço!

Cristo o abençoe!

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