Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quinta-feira, 3 de março de 2011

Fidelidade - Cantares de Salomão (V)

Dize-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes descansar ao meio-dia; pois por que razão seria eu como a que anda errante junto aos rebanhos de teus companheiros? Se tu não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sai-te pelas pisadas do rebanho, e apascenta as tuas cabras junto às moradas dos pastores (Ct 1: 7 e 8; Fiel).

A noiva não quer ser contada entre aquelas que andam errantes. Ela não quer ser confundida com uma prostituta. Mas o coro das virgens, também chamado de “filhas de Jerusalém", mais uma vez, se pronuncia e parece que aquela alegria inicial, mas que se deixou contaminar pela inveja, avança agora para o campo do sarcasmo e do mau conselho. Elas orientam a noiva a buscar seu amado, andando errante entre outros homens. Ela sabe que não deve passear em lugares estranhos, noturnos, dar margem ao falatório, que colocaria sua integridade em risco.

A noiva sabe o que quer. Sabe a quem ela quer. Contudo nós não somos mais educados para nos relacionarmos com o outro, não sabemos o que queremos do outro em termos afetivos, morais, religiosos. Somos educados para a cama e não para a casa. Somos educados para o sexo e não para o compromisso. Mas os animais fazem sexo. Não há nada de singularmente humano no sexo, este aspecto hiper-valorizado da nossa cultura ultra-erotizada. Definitivamente, não é o sexo que nos distingue, mas o amor à fidelidade, esta é a marca distintiva que nos eleva. O compromisso, o respeito, a proteção, cumplicidade, as juras de amor, os versos de Cantares, a liberdade de escolher estar preso ao outro, estes são manifestações verdadeiramente humanas, que revelam a glória de Deus na coroa de Sua criação. Coroa marcada pela imago Dei; coroa amalgamada por determinados valores do caráter divino que só ao ser humano foram ofertados: fidelidade é um atributo do caráter de Deus, o único perfeitamente fiel!

Todavia não somos mais educados para fidelidade. As escolas nos ensinam a abrir os pacotinhos de camisinhas e as colocarmos corretamente em cenouras e pepinos... A escola está se especializando em nos ensinar sobre as mais variadas e apimentadas posições sexuais. A escola é o novo coliseu, o Anfiteatro Flaviano, no qual pequenos gladiadores são doutrinados para a bestialidade, enquanto ali se lançam aos leões os últimos cristãos à sombra da enorme imagem do novo Nero, a pan-teocracia dos últimos tempos!

Mas quem ensinará novamente a guardarmos nossos corações dos rebanhos de outros pastores? Ela, a noiva, sabia que seu amado deixara marcas, rastros; o rebanho dele se distinguia dos demais, seu amado era inconfundível: suas pisadas, suas características físicas, qualidades, caráter, responsabilidade. Quais as características que buscamos quando sonhamos com o outro? Que qualidades queremos que o cônjuge apresente uma vez que o projeto é envelhecermos juntos?

E o que temos a oferecer ao outro? A noiva luta contra o mundo, o coro das virgens, resguardando o seu bem mais precioso: a fidelidade! "Por que sairia eu pelos campos de outros homens?", questiona, inquire, impõe-se a noiva diante do curso deste mundo tenebroso!

2 comentários:

Regina Farias disse...

Casalzinho vinte

Excelente reflexão.

Não há muito o que falar.

É ler, refletir e trazer para a existência.

bjs

Rê.

disse...

Fidelidade esta é uma característica necessária entre os cônjuges e em todas as áreas, principalmente ao Senhor. Pois somos bombardeados com o contrário o tempo todo. Seu texto é bastante pertinente Fabio. Paz!

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