Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 28 de março de 2011

A crise da fêmea - Cantares de Salomão (VI)


Às éguas dos carros de Faraó te comparo, ó meu amor.
Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites, 
o teu pescoço com os colares.
Enfeites de ouro te faremos, com incrustações de prata.
(Ct 1; 9-11; Fiel)


Quais significados estão contidos na metáfora desses versos? Poder, beleza, imponência, força! O amado finalmente manifesta-se no livro e nos revela sua admiração, sua estupefação diante da noiva! Oferece a ela versos e presentes. Poesia e jóias. Há muitas maneiras de se agradar, de se valorizar e de expressarmos os nossos sentimentos e desejos por uma mulher. E ela, a noiva, sabe incitar o seu homem à criatividade.

Esta comparação – "às éguas dos carros de Faraó" – era um elogio comum dos noivos às noivas naquela época.  Evidentemente, erótico. Todavia, não vulgar. Quais características femininas são referidas pelas analogias de nossa subcultura? Na era das mulheres-fruta, reduzidas à coisificação estritamente pornográfica, retornamos ao noivo de Cantares, que expressa a grandeza, a fortaleza física e a integridade moral e espiritual da majestosa noiva: a excelência feminina em sua totalidade, alma e corpo.

O que se têm dito das mulheres de nossa geração? O que aprendemos dentro de nossas casas, nas escolas, no trabalho sobre o que dizer da mulher? Mas o mais surpreendente é que há essaszinhas, as chulas, que se submetem ao menosprezo, ao ridículo, às humilhações masculinas (e, pelo que demonstram, parecem mesmo gostar). Nada contra mulher que gosta de apanhar, ser humilhada, rebaixada, cuspida... Parece que, realmente, elas existem e não são apenas criações fantasiosas do mundo pornográfico (machista). Bem, elas são livres para se tornarem escravas daquilo que bem quiserem.  Nada tenho com isso, de fato.

O problema é que a mulher-coisa é uma imagem fixada e estendida para todas representantes do sexo feminino, indiscriminadamente. Esta é a imagem repassada aos meninos, desde cedo. Há quem diga, ainda, que é só atuação, só imagem, ou fantasia... O fato é que há mulheres que se vendem (ou se dão de graça mesmo), prostitutas de plantão à disposição da humilhação. Paradoxalmente, os jovens são introduzidos ao universo feminino por elas, seja num prostíbulo (ao qual muitos pais levam seus filhos, embora, agora, já haja serviços mais cleans em motéis ou dentro de casa mesmo), seja também por filmes, revistas e o que a mídia nos oferece. Portanto, é uma cultura que molda, apresenta e define para nós, homens, o que são as mulheres, a que elas se submetem, do que elas gostam e o que podemos e devemos exigir delas. O que esperar do imaginário masculino se, desde a tenra juventude, é a isso tudo que somos doutrinados?

A crise é feminina, não é masculina. Nunca foi. A imagem primordial da mulher é a imagem da mãe – mentora que deveria, primeiramente, nos introduzir ao universo feminino. Todavia, as mães saíram de casa. A ausência dessa referência para os filhos é um abismo, um buraco aberto na formação do caráter do homem. Seremos, então, muito cedo, apresentados a outras mulheres. Perdendo, portanto, a fase do convívio e da admiração proporcionada pelo caráter bondoso, meigo, feminino da própria mãe. 

A crise, sinto muito dizer, nunca foi do macho. A crise é das mulheres que se despiram da maternidade e da responsabilidade de criarem homens de caráter,  filhos homens que respeitassem o sexo oposto, admirassem o universo feminino e que possuíssem o zelo devido às mulheres que lhe serão confiadas amanhã.

Creio que nunca a nossa cultura ocidental foi tão impregnada  por imagens de domínio sexual e abuso machista como o é agora e na qual a mulher se submete e se definha na sua sexualidade, beleza e natureza. É impossível não imaginar que houve uma armadilha cultural - uma arquitetura epistemológica - preparada pelos homens para que elas caíssem e, julgando-se livres, elas fossem, na verdade, tão oprimidas e dominadas como estão agora. Uma espécie de plano macabro planetário, que as subjugou, dando a elas a liberdade de se tornarem uma coisa, um objeto, uma fruta, um fetiche, um pedaço de carne, enfim, mas por livre e espontânea vontade delas.

9 comentários:

Rita disse...

Bom dia!!
Onde eu assino?
rsrsrs

Texto muito bom,as mulheres entraram na crise mais grave quando deixaram se contaminar pelo feminismo.

A queda começou no jardim,e de lá pra cá o buraco tem ficado cada vez mais fundo,e negro,sabemos que o maligno está nos bastidores,e fará tudo para destruir a mulher,pois pervertendo-a destrói as famílias,infelizmente as mulheres estão sim em crise,e a pior delas, falta de reconhecer seu verdadeiro lugar,dado pelo Pai,o qual nenhum homem jamais poderá ocupar...ser mãe,e fechar os abismos que separam
a criatura do criador...os filhos do Pai.

Bjs e paz!!

disse...

A crise é da mulher , mas o maior culpado desta crise são os homens Fabio, não digo toda culpa, mas uma boa parcela é deles e a mídia também que as tratam como um pedaço de carne pendurada em um açougue, levando muitas cativas a esta idéia de glamour,e ensinam aos nossos filhos como eles a devem trata-las. Jesus deu valor as mulheres, mas o homem com seu machismo contribuiu muito para que elas se colocassem no lugar dos homens, e esta liberdade teve um preço muito alto. Muitas delas sairam de casa porque aquele (mantenedor)que deveria cuidar e zelar, pois os homens foram feitos para cuidar das mulheres e crianças e não abandona-las a sua própria sorte, negaram seu chamado de homem provedor,a imagem de mãe mentora passou a ser a imagem de mãe mantenedora do lar, por isso muitas delas são hoje o que vemos, elas foram muito longe . Paz!

Casal 20 disse...

Rita! Assino em baixo do seu comentário (rsrsrs).

Abraços sempre afetuosos.

Casal 20 disse...

Rô, concordo contigo, mas, cabe lembrar que o texto visa ressaltar que quase todo homem tem uma mãe cuidando dele. O que se torna uma ótima oportunidade para tentar fazer um homem diferente para um mundo excessivamente homogêneo.

Abraços sempre afetuosos.

Max Gama disse...

Lamento profundamente que isso tenha acontecido. Coisificaram a mulher de tal forma, que algumas querem ser tratadas como objeto e pedaço de carne mesmo, e se assim não for, procuram por quem o faça... Mesmo assim, o presente texto é maravilhoso.... quero pedir licença para publicá-lo no http://profetadotelhado.blogspot.com/, meu blog.
Grande abraço
Que Deus so abençoe ainda mais... o blog está show!
IntéMax!

Casal 20 disse...

Claro, Max. Pode ficar à vontade. Será um privilégio para nós.

Já fomos visitar a sua casa também. Deixamos um comentário por lá.

Volte sempre. A nossa casa é sua também.

Abraços sempre afetuosos.

CORAÇÃO QUE PULSA disse...

AS Éguas de Faraó eram treinadas a NUNCA DESISTIR numa GUERRA. Eram PREPARADAS para LUTAR.Na BATALHA!quando atingidas por alguma arma...flexas,lanças,espadas,ELAS corriam mesmo feridas,até chegarem ao DESTINO.Eram bem alimentadas,banhavam com água abundante e suas FERIDAS eram tratadas com ÓLEO.Eram BELAS de se ver,enfeitadas com COLARES de OURO e PRATA.TODOS sabiam a DIFERENÇA entre ELAS...e as OUTRAS.

Este texto narra o AMOR de JESUS por sua IGREJA mas...Vamos traze-lo para nós HUMANOS...KKKKK
O que fizeram de nós MULHERES?!
Que significado nos estão dando?!
Que honra?!
Comparadas a que?! A FRUTAS!!!???
Estão levando o nome MULHER ao mais baixo nível de PODRIDÃO e LIXO.Por que permitimos isso?!
COMO SE PÁRA ISSO??!!KKKKKKKKK
TÁ DIFÍCIL AMIGO!....
NÓS MULHERES! Precisamos fazer a DIFERENÇA.
Beijos na família e fiquem com DEUS.

Ligian disse...

Outro dia estava conversando com meu marido e dizendo que tenho a maior vontade de voltar para a faculdade e que me sinto bem improdutiva por estar parada e levei um pito (com razão). Me casei muito nova e tive filhos muito nova, por isso não consegui estudar antes, mas só não terrminei minha tão sonhada faculdae porque preferi ficar com meus pequenos! Não me arrependo e aconselho às mulheres mais novas e que ainda não são mães a fazerem o mesmo porque o tempo que "perdemos" ficando em casa não pode ser recuperado quando nossos filhos já estiverem perdidos e, então, concluirmos que a culçpa foi toda nossa por não termos nos dedicado quando deveríamos.
Excelente (de novo) post!
Bjim!

Helvecio Pereira disse...

Excelente... didático, esclarecedor. Parabéns! agora eu que humildemente peço para republicá-lo. Um grande abraço!

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