Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Supressão - Cantares para ela mesma (IV)


Para L.R.


Considere os sussurros aos teus ouvidos, meus segredos imersos.
Revelo a ti o crime grave do qual, sei, sigo sendo seu réu imérito.

E nessa sala de espelhos intensos, eu sou Sísifo condenado:
é cicio que sibila nesses silêncios de meus inversos escritos...

Despojo, roubo, o furto do produto daquilo que de ti subtraí.
Dolo nulo, mas o crime que crava o crivo da culpa está aqui.

Se justifico isso tudo como um êxtase, encantamento, um arroubo,
ainda assim não encontro de ti o meu indulto requerido, o socorro.

Meu ato nefasto? Ter arrebatado de sob tua pele, eu confesso,
a lira, o estro: enlevo que agora entrego mascarado neste verso. 

F.R.

4 comentários:

Samir . disse...

Belo verso, redigido com belas palavras, dignas de um bom escritor.

Casal 20 disse...

Samir!

Muito obrigado, querido.

É que a musa dos versos me inspira!

Abraços sempre afetuosos.

Joelma Rocha disse...

Que lindo! Parabéns!

Casal 20 disse...

Joelma!

Muito obrigado pelo comentário.

Volte sempre. A casa é sua!

Abraços sempre afetuosos.

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