Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Perseverança - Cantares da Felicidade (V)

...ouvindo-me algum ouvido, me tinha por bem-aventurado;
vendo-me algum olho, dava testemunho de mim...
Jó 29:11


Jó, servo de Deus, derrame seu coração diante dEle! Usufrua dessa intimidade reservada a tão poucos de conversar com um Deus pessoal. Abra seu coração, revele suas dúvidas, suas angústias, suas lágrimas. Será que Deus ainda é seu amigo? Indague-O. Interrogue-O. Perscrute os céus; clame por essa resposta! Você era tão próspero, tão justo, repleto de bons testemunhos... As pessoas o tinham, Jó, como alguém “amigo de Deus”, conhecedor do Deus da religião. A prosperidade sempre estivera contigo, óbvio, não? Afinal, Deus era seu amigo. Mas, agora, Jó é apenas uma sombra, um caco, um resto pisado por Satanás.

Agarre-se a Deus, pobre Jó (assim como fez o patriarca Jacó)! Agarre-se a Deus e não O deixe ir embora sem que Ele confirme a aliança, o pacto, a amizade contigo. Você recebeu tantas bençãos materiais – era rico, homem de posses, Jó. Todavia você está doente, fétido, ulcerado, esquecido por aqueles que antes se admiravam de sua bem-aventurança. Perdeu seus filhos, sua terra, sua saúde e sua esposa grita ao seu ouvido: “Ainda reténs a sua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre”! 

Diante da calamidade, isto é o que dizem os ímpios: Deus não é bom! Deus é indiferente! Deus não é justo! Deus não há! Jó, é esse o argumento da sua esposa. Mas a sua integridade o impede que tenha aceitado o bem das mãos de Deus com tanta alegria e, então, viesse a rejeitar o mal planejado por Deus sobre a sua vida. Satanás pediu você (assim como fará depois com Pedro) para passá-lo na peneira, moê-lo, fazê-lo pó. E a única bem-aventurança, a única alegria que possamos talvez discernir em momentos como esse é que o próprio Jesus intercede por nós para que a nossa fé não morra!

A paciência de Jó, a perseverança em suportar o mal que está sendo entregue pelas mãos dAquele que, até então, só nos entregara o bem. Ora, se nos alegramos tanto com Ele, por que não nos entristeceríamos ao lado dEle também? A galeria dos heróis da fé é farta em nos revelar que a bem-aventurança, a verdadeira felicidade, não é a prosperidade material que possamos receber das mãos de Deus, mas, antes, a bem-aventurança está na perseverança manifestada na vida dos que pertencem a Deus e são propriedade exclusiva para a glória dEle. Você olhará para trás (assim como Moisés) e verá que, nos momentos de angústia e tribulação, você era salvo, defendido e protegido por Deus, para que a sua fé não viesse a morrer!

A história de Jó nos fala exatamente dessa nossa ignorância diante dos fatos que discorrem no mundo sobrenatural e nos fala, também, dessa nossa fragilidade diante da realidade que nos é imposta no mundo natural.

Não podemos controlar Deus, não podemos discernir todos os seus desígnios eternos, mas podemos nos humilhar e responder com fé à salvação, à soberania e à amizade de Deus manifestada na sua aliança conosco. Por isso, a Bíblia diz daqueles que perseveraram em Deus: “Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso” (Tg 5:11).

Se você leu este post e gostou, então você precisa ler (e assistir!) ao ótimo post da Carla Reichert: uma ilustração de tudo o que escrevi. Clique aqui!

2 comentários:

disse...

É meu amigo servir a Deus é penetrarmos no mundo sobrenatural e adentrarmos no mundo da fé, somos ignorantes e frágeis nesta área como você disse. Lembrei-me do profeta Habacuque agora... Habacuque nos leva para uma trilha dos que já entenderam melhor o amor de Deus. É a fé dos que não precisam de provas constantes da fidelidade divina, é a fé dos que perderam, mas na derrota ganharam, é a fé dos que nada têm, mas vivem como se tivessem tudo, e se aquietam mesmo diante do mais absoluto silêncio dos céus. Assim como Jó. Amar ao Eterno também é compreender a sua ausência e os seus "nãos" para a nossa vida. Paz querido!

Casal 20 disse...

Uau! Um comentário desse só revela que estar casada com um poeta inspira, não é mesmo?

Rô, uma das coisas mais maravilhosas de Deus é percebermos esse oceano profundo do caráter divino que nos foge, mas que nos encanta só de estarmos ali, brincando nas águas rasas da praia de nossas espiritualidades.

Abraços sempre afetuosos.

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