Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

domingo, 27 de fevereiro de 2011

"O melhor disco gospel de todos os tempos"

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O ano era 1987. Reuníamos os amigos no apartamento do Nelson e ele nos mostrava seus Lps (aqueles  antigos bolachões pretos). Nelson era filho de militares, porque, em Brasília, todos nós éramos filhos de militares ou de políticos. Isto nos marcou muito a infância e juventude brasilienses: eram amizades que estavam sempre na expectativa do fim iminente, porque, se você fosse militar, então poderia ser transferido a qualquer momento ou, se fosse político, só permaneceria em Brasília, obviamente, se conseguisse ganhar nova eleição. Portanto, a rotatividade era muito alta. O que gerou em nós – é o que dizem – uma certa frieza, um distanciamento seguro para nos defendermos da dor causada pela perda do outro. Durante muitos anos, tive que lutar contra essa frieza e insensibilidade defensiva que parecia ter se impregnado mesmo em nós.

Lembro-me que estávamos na sala do Nelson, reunidos em torno desse Lp, The Joshua Tree. Ele nos explicava a letra e o contexto de "Mothers of the Disappeared". Nelson traduzia a letra e nos contava sobre as histórias envolvidas ali naquelas composições: Night hangs like a prisoner/ Stretched over black and blue, diz os versos dessa estranha e triste música. Contudo, foi quando ele terminou de traduzir e comentar as duas músicas que coloquei aqui neste post, que percebemos o poder religioso existente naquele disco e o Nelson nos declarou: “Esse é o melhor disco gospel de todos os tempos!”...

Eu não fazia a menor ideia do que ele queria dizer com aquela frase, mas, hoje, sei que ele usou “gospel” no sentido mais sincero do termo quando aplicado a esse gênero musical (nada parecido com o que conhecemos hoje como “gospel”). E, assim, voltei para casa pensando naquela “cidade cujas ruas não têm nome” e na busca de Bono Vox pelo Espírito Santo. Naquele tempo, já havia lido as histórias do santo Domingos Sávio e o angustiante livro O Pobre de Deus, de Nikos Kazantzákis, sobre a vida de São Francisco de Assis, porém nada havia se aproximado tanto de mim como a música de Bono Vox. Foi quando cheguei em casa que percebi que já não tinha mais dúvidas, então disse para minha mãe no auge dos meus 13 anos de idade: “Mãe, quero ser padre”! 

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6 comentários:

disse...

"Mãe quero ser padre" rsss .
Muito bom, adoro lê vocês, você me fez lembrar agora sobre filhos de militares, meu marido é militar e moramos fora do Rio uns longos anos e realmente é difícil esta rotatividade para os filhos, pois quando já nos acostumamos com o lugar e o povo... lá estamos novamente indo embora. E quanto a a letra da musica é muito boa, a busca do (Espírito Santo), todos querem ter o consolador, e esta busca é tremenda e incansável pois é promessa. Sabemos que a Igreja de Jesus Cristo é cheia de vida. A voz, o Espírito e o poder de Deus encontram-se em nossos serviços de adoração, lembrei-me de quando Elias disse a Eliseu: "Pede-me o que queres que te faça". Eliseu disse: "Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim". Ele não poderia ter feito pedido maior. A busca constante
da companhia do Espírito Santo é a coisa mais importante da vida. Para os que buscam, irão despertar na vida futura como gigantes espirituais, em contraste com a infantilidade de outros que viveram sem Deus neste mundo. Me amarro no Bono!

Casal 20 disse...

Rô, é uma música forte! Letras fortes! Uma mensagem sincera e humana. Eles marcaram a nossa geração!

Gostei muito das coisas que você disse no seu comentário. Quem diria? O maridão além de poeta é militar! Sei bem o que é isso, pois em Brasília sempre a metade dos meus amigos eram filhos de militares. Era a nossa realidade brasiliense.

Abraços sempre afetuosos.

"LABAREDAS DE FOGO" disse...

Assistam esse especial só para crentes:

http://teophilo.info/analises/u2.php

Casal 20 disse...

Querido Labareda, concordo com certeza com o ótimo texto que você me enviou.

Como falei no post, estou dizendo de uma época lá de 1987. Nem convertido eu era. De lá para cá, muita coisa mudou tanto na minha vida como na do Bono Vox.

Como disse também, o máximo a que ele me levou foi à certeza de ser padre (rsrsrsrsrs). Bem, como você sabe, só bem depois do Seminário Católico é que eu encontrei o ES que até hoje o Bono não encontrou. Hoje sou pastor reformado, missionário e escravo do Senhor Jesus.

Foi uma experiência datada, Labareda. Mas, reafirmo, concordo inteiramente e sei das confusões religiosas que ele têm semeado hoje.

Estava com saudades. Sumido, hein?

Abraços sempre afetuosos.

"LABAREDAS DE FOGO" disse...

Glória a Deus pelas mudanças na sua vida mas, o Bono, parece que não houve mudança apenas evolução no caminho do mal.

Sua própria mãe, desde bem menino, o apelidava de "a besta"

Mudando a visão, como "amante do rock que fui, dos 5 aos 36 anos, sempre achei o U2 uma banda de acordes repetitivos, sem muita criatividade, claro, comparando-a com a(o)s melhores do rock.

Durante muitos anos não entendia o porque dela ser a banda mais rica. Somente após conhecer esse envolvimento com a ONU é que eu pude entender; vocês estão sabendo dos últimos escandâlos com o Bono, o desvio de milhôes de dolares das doações que ele recebia para ajuda aos povos pobres?

Casal 20 disse...

Ô Bono...

Vou te dizer, hein? Resta é orar para que a confusão em que ele se meteu o leve, quem sabe, a achar o que tanto um dia procurou (se é que essa busca foi sincera).

Valeu, Labareda! Importantíssimo o que você falou aqui. E recomendo a todos que entrem no link que você me deixou no comentário anterior.

Abraços sempre afetuosos.

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