Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

E aí, qual será o presente?


"Pai, me dá isso? Pai, me dá aquilo"... Todo ano é a mesma rotina: consumismo, o "bom velhinho", a ceia de Natal, presentes... A pressão é enorme. Somos assolados por pedidos chorosos de barbies, patins, roupas, acessórios de beleza infantil e demais brinquedos. A tv hipnotiza as crianças com a insistência demente de que se tem que ganhar aquilo ou isso. Bons pais, famílias felizes, crianças satisfeitas - já conhecemos bem a estratégia de manipulação que, anualmente, tenta trazer para dentro das nossas casas as regras de felicidade do mercado.

"Pai, me dá isso? Pai, me dá aquilo?"... Sou pai de meninas, então, nada de bola de futebol, meião, camisa do time, video game. Elas querem maquiagem, bonecas, saias, brincos, etc. A verdade é clara desde que elas entenderam as primeiras palavrinhas da língua portuguesa: Papai Noel NÃO existe! Resolvida logo essa questão, que as livrou de ansiedades, mentiras, expectativas e frustrações futuras, sobraram apenas dois papais dentro de casa: o papai aqui e o Papai do céu. Acabei logo com a festa desse "bom velhinho", uma vez que fantasia é uma coisa e mentira é outra bem diferente! E Papai Noel, da maneira que a sociedade o apresenta às nossas crianças, definitivamente, não se encaixa na 1ª categoria.

Outra verdade clara: "quer coma, quer beba, faça tudo para a glória de Deus". "Pai, pode?", elas perguntam. "Precisa mesmo?", respondo. Há coisas que são só futilidades para a vida delas, então, pergunto se glorifica a Deus, se é válido, se edifica mesmo, e, assim, eu e minha esposa vamos ensinando critérios: "Será que já não têm boneca demais? Será que não têm sapatinho demais? Etc". Ensinando que, pelo valor moral e pelo valor econômico, há limites sim. A graça de Deus diz: "Tudo posso, mas nem tudo é lícito"! Portanto, negocia daqui, negocia dali e, enfim, entram também os avós, tios, amigos para ajudar no quadro da felicidade geral.

Uma regra pessoalíssima e que ensinamos para nossas filhas desde cedo: os pais não dão presentes no Natal. Quer que eu explique? Os avós, titios, amigos vão dar, certo? Então, damos os nossos fora da data natalína (alguns dias antes), para que possamos nos dedicar com exclusividade ao papel de contra-peso durante as festas. Cabe a nós, papai e mamãe, a responsabilidade de ensinarmos o verdadeiro sentido do Natal.

Aguardando os presentes de Natal (claro, são crianças!), minhas meninas revelam seus temperamentos completamente diferentes: a mais nova quer ganhar isso, aquilo e aquilo outro, enquanto a mais velha, já mais acostumada às regras de todos os anos, solicita um "presente mais santo": "Pai, me dá uma Bíblia rosa no Natal? Aquela rosinha com pelo..." e ela sai descrevendo os detalhes dessa mais nova edição de consumo gospel. Verdade, até Bíblia vira alvo do consumismo desenfreado.

- Gi, mas... E você? O que você vai dar de presente? Ela para de falar, surpreendida pela inusitada pergunta.
- Que?!
- Olha, imagina que é o dia do seu aniversário. Tem bolo, pula-pula e algodão doce, a casa enfeitada de balões, pirulitos e balinhas; muitos presentes embrulhados, mas, na hora do "parabéns", todo mundo bate palma, canta e entrega todos os presentes para sua irmã. Você acharia isso certo?
- Não! O aniversário é meu!
- Então, Gi, o que você vai dar de presente para Jesus? O aniversário é dele!
- ...
- Gi, qual o presente que você pode dar para Jesus? Ela aquieta e fica pensando, parada ali na minha frente. A irmã mais velha, Aninha, olha para mim e sorri. Aninha já sabe a resposta, afinal tem mais natais nas costas do que sua irmãzinha de 5 anos.
- Meu coração! Gi responde com um sorriso. Ela ainda não tinha olhado para o Natal como uma data para oferecer, para dar presentes ao aniversariante da festa, uma vez que seus coleguinhas, a escola, a rua e a tv só falam em ganhar.

Assim, em meio a tantos presentes que certamente queremos dar e receber, gostaríamos de convidar você para reservar um tempo e se deixar ficar aí parado, igual ficou nossa Gisele, e refletir no presente que você e sua família darão ao Dono da festa.

E aí, qual será o presente que você dará para Ele neste Natal?

Feliz Natal da Família Ribas!

2 comentários:

Jessé Fogaça disse...

Rev. Ribas,
Não costumo ler textos sobre natal, são sempre piegas, meloso e repetitivo. Mas o seu texto realmente me prendeu a atenção. Muito bem escrito e edificante. Seu diálogo com a Gisele foi muito bacana. Se me permite, usarei esta ideia com a Rebeca.
Abração
Jessé Fogaça

Casal 20 disse...

Jessé, que bom lugar para te encontrar. Muito obrigado e, saiba, honra-me sua presença inaugural por aqui.

Abraços sempre afetuosos na sua linda família.

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