Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O Amor e o duplo símbolo do Mar (Pierre Grimal)

                Os gregos, em busca (como tantos outros) de um princípio motor no interior do Ser, acreditaram descobri-lo no Amor. 

No começo, havia a Noite (Nyx) e, ao seu lado, o Érebo, seu irmão. São as duas faces das Trevas do Mundo: Noite do alto e obscuridade dos Infernos. Essas duas entidades coexistem no seio do Caos, que é o Vazio: não o vazio inexistente e negativo dos físicos e dos cientistas, mas um Vazio que é inteiramente potência e “matriz” do mundo, vazio por desorganização e não por privação, vazio por ser indescritível e não por ser nada.

Paulatinamente, Nyx e Érebo separam-se nesse vazio. Érebo desce e liberta a Noite, que por sua vez se encurva, torna-se uma imensa esfera, cujas duas metades se separam como um ovo que se quebra: é o nascimento de Eros (o Amor). Enquanto isso, as duas metades da casca se convertem, uma na abóboda celeste, a outra no disco, mais achatado da Terra.

O Céu e a Terra (Urano e Gaia) possuem uma realidade material. Amor é uma força de natureza espiritual: e é ele que assegura a coesão do universo nascente. Urano se inclina para Gaia e essa união dá início às gerações divinas.

(...)

A união de Urano e de Gaia revelou-se fecunda. Dela surgiram, inicialmente, por duas vezes, seis casais de Titãs e Titanesas. Os seis Titãs eram: Oceano, Ceos, Crios, Hipérion, Japeto e Cronos. As seis Titanesas: Téia, Réia, Têmis, Mnemósine, Febe e Tétis. São seres divinos, mas, ao mesmo tempo, forças elementares, algumas das quais conservaram até o fim um caráter quase exclusivamente naturalista.

Oceano é o mais célebre de todos. É a personificação da água que envolve o Mundo, sobre a qual flutua o disco terrestre. Não é uma entidade “geográfica”, mas uma força cósmica (...). Água primordial, [o Oceano] é o pai dos rios, que são alimentados por ele graças a canais subterrâneos ou dele derivam de modo misterioso, como o Nilo, cujo segredo está guardado no fundo das areias da Etiópia.

Primogênito dos Titãs, Oceano é “casado” com Tétis, a mais jovem das Titanesas, que personifica a potência feminina do mar. Não deve surpreender a presença de um duplo símbolo do Mar: toda fecundidade é dupla. Somente uma potência feminina pode amadurecer e chamar à vida o sêmen do macho. 

Tétis mora longe, no sentido do Oeste; às vezes briga com Oceano, mas chega o momento da reconciliação e a ordem do mundo é salva, e a despeito dos caprichos inerentes à natureza da mulher.

sábado, 25 de junho de 2016

O papel da esposa no pastorado (Charles Swindoll)

Conheça a história de Robert Manry (meninos, leiam com muita atenção)
"Em 24 de maio de 1965 um barco de 4 metros de comprimento deslizou suavemente de um porto de Falmouth, Massachusetts. Destino? Inglaterra. Seria a menor embarcação a fazer o percurso. Seu nome? Tinkerbelle. Piloto? Robert Manry, editor de texto do jornal Cleveland Plain Dealer, que achou que dez anos preso a uma escrivaninha era tédio suficiente. Por isso, pediu licença no emprego para realizar seu sonho secreto.
Many estava com medo... não do oceano, mas de todas as pessoas que tentariam dissuadi-lo da viagem. Por isso, não partilhou seus planos com muita gente, só com alguns parentes, e de modo especial com a esposa, Virgínia, que lhe deu o maior apoio.
A viagem? Qualquer coisa, menos agradável. Passou noites horrorosas sem poder dormir, tentando cruzar rotas de navegação sem ser atropelado e afundado. Após semanas no mar, a comida perdeu o sabor. A solidão, esse monstro antigo das profundezas, levou-o a alucinações terríveis. O leme quebrou três vezes. Tempestades varreram o convés, arrastando-o para longe do barco e, não fora a corda que ele amarrara ao redor da cintura, jamais teria conseguido voltar a bordo. Finalmente, depois de setenta e oito dias a sós, no mar, entrou em Falmouth, Inglaterra.
Durante aquelas noites, preso à alavanca de navegação, ele havia fantasiado o que faria logo após chegar ao destino. Esperava simplesmente alojar-se num hotel, jantar sozinho e depois, na manhã seguinte, ver se a Associated Press estaria interessada em sua história. Que surpresa o aguardava! A notícia de sua aproximação se espalhara por toda parte. Para seu espanto, trezentos barcos, com buzinas barulhentas, escoltaram o Tinkerbelle até o porto de chegada. Quarenta mil pessoas o aguardavam, gritando e aplaudindo-o, na praia.
Robert Manry, o editor de texto que se tornara um sonhador, da noite para o dia virou herói. A história de seu feito tem sido contada no mundo todo. Entretanto, Robert não poderia ter feito tudo isso sozinho. De pé no cais estava uma heroína maior ainda — Virgínia. Recusando-se a ser rígida e fechada, quando o sonho de Robert tomava forma, ela o encorajou... desejando arriscar-se... permitindo ao marido a liberdade de perseguir seu sonho.
Pastorados de grande sucesso não chegam lá sem que haja sonhadores que se cansaram de fazer apenas "manutenção" anos e anos sem fim. A busca do caráter se acelera no contexto da liberdade, do encorajamento e do risco. Precisamos de mais Roberts que tenham criatividade e tenacidade, a fim de romper o tédio, e tentar o inusitado, o incomum. Mas, acima de tudo, precisamos de Virgínias que não permitirão que a rigidez seja o árbitro" - Charles Swindoll.

sábado, 19 de março de 2016

À procura da poesia

Para Lucila Ribas

Na base, vi-te inatingível, evadindo-se da minha cantiga.
Desdita, não consegui sequer uma linha que lhe dissesse
Que meu sentimento não cabe no canto de uma só vida
Nem no banquete de discursos que minha lira te oferece.   

Na haste, tento reter tenazmente a tez de todo teu encanto!
Sei que nem toda força e a fúria deste meu laço, no entanto,
Fixarão o feitio de tua forma e afeição no ardil de meu abraço.
Canto tua veste de cristal da qual para sempre serei teu bardo!

Do bojo desta taça, sorvo teu sopro que as rimas traz à vida,
Todavia, são inábeis em suster teu olhar por mais de um dia...
É teu desdém, tua indiferença, o que me faz artífice da poesia!

À borda de teu beijo, elucido o que ainda aqui te deixo escondido:
Não é o vaso grego, mas sim tua taça de vinho o que eu mais desejo
E o verso livre que atará, enfim, teu apreço a tudo o que eu te escrevo!

Fábio Ribas

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O valor do culto nos lares

            
Sempre tiramos um tempo para orarmos juntos, eu e minha esposa. Antes mesmo de casar nosso namoro foi marcado pela leitura, estudo e muitas devocionais que já fazíamos juntos. Quando vieram as meninas, tratamos de ensiná-las a buscar a Deus diariamente e conosco também.

            É fácil? Sim e não. A nossa natureza totalmente depravada não vai sentir prazer e se lançar sem resistir à adoração. É preciso lutar contra nós mesmos: preguiça, má vontade, outros afazeres, o corre-corre, enfim, não haverá falta de desculpas para não realizar o culto doméstico. Mas é preciso lutar. Os frutos virão e a força para enfrentar as futuras adversidades está sendo forjada nestas reuniões em família.

            Para que o culto dê certo é uma questão de oração, hábito e educação. É preciso definir metas para que tenhamos a percepção de que estamos avançando ou não. Depois de tantas e inúmeras tentativas, cada família vai aprimorando e se adaptando.

Qual o melhor horário para que todos se reúnam? Aqui em casa é após o lanche da noite. Qual o material de apoio para usar? Já utilizamos uma série de devocionais da APEC; livros do “Pão Diário para crianças”; ano passado, fizemos as nossas leituras no Breve Catecismo de Westminster; e, neste ano, estamos usando o Evangelho segundo João.

Até chegarmos ao modelo de liturgia que temos hoje, erramos muito. Todavia, agora estamos fazendo assim: 1) oração introdutória feita cada vez por um de nós; 2) leitura bíblica seguida de perguntas de compreensão e dando espaço para que cada um diga o que mais gostou no texto lido; 3) leitura de uma cata de alguma família missionária e oração por eles; 4) 2 ou 3 cânticos finais; e 5) oração de encerramento.

A liturgia exposta acima é enriquecida com fotos, músicas, mapas e o que mais for necessário. Porém, o que é, na verdade, o mais importante? A família reunida ao redor da Bíblia. Faça o seu melhor horário. Esforce-se, lute por isso! Se o fazemos todos os dias? Não. Tem sido de 3 a 4 vezes por semana. Nos dias que há igreja ou que precisamos sair juntos não fazemos.

Além disso, incentivamos (leia-se “cobramos”) que nossas meninas façam suas devocionais individuais. Para tal, acordamos mais cedo e cada um pega seu livro de devocional e se tranca em algum lugar sozinho com Deus. Após isso, sempre compartilhamos um com o outro o que aprendemos naquele dia na devocional individual.


Escrevi este post só para mostrar que o “culto nos lares” é possível. Há desafios e há vitórias. O mais importante é que, dentro de casa, o homem assuma sua responsabilidade pastoral com sua família. É o homem quem deve chamar sua família para o Culto; é o homem quem deve abrir a Bíblia e pregá-la em casa: esta é a nossa responsabilidade dada por Deus. Que a sua casa, que a sua família seja uma linda igrejinha para a glória de Deus!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Nossas filhas estão de olho em nós!

Há muitos anos, quando ainda morávamos em São Sebastião, Brasília, e quando Aninha, nossa primogênita, tinha apenas seus 4, 5 aninhos de idade, ela nos surpreendeu dizendo no banco de trás do carro: “Quando eu crescer, eu quero ser policial e casar com um pipoqueiro”!

Evidentemente, não conseguimos segurar nossos risos diante de tão inusitado projeto de vida. Todavia, pensando bem no que aquela minha criancinha linda já julgava significar o casamento, ela estava certíssima: casamento é segurança e prazer.

Algum conservador de plantão deve estar torcendo o nariz diante do modelo familiar invertido da minha filhinha. Será que, naquela época, estaríamos passando a ideia de que segurança quem provê é a mulher e o prazer é o homem? Nem vou comentar.

Mas os anos passaram e percebemos que nossas filhas sempre estiveram de olho em nós, confirmando o bom e velho Aristóteles que dizia que a imitação é uma condição conatural ao homem, sendo isso o que nos diferencia dos animais. A imitação, dizia Aristóteles, é o meio pelo qual aprendemos, apreendemos e temos prazer nos mais diversos aspectos da vida, inclusive no casamento (embora Aristóteles não tenha feito essa aplicação matrimonial).

E de olho em nós e na nossa vocação e eleição, nossas filhas começaram a dizer que queriam casar com um pastor e serem missionárias. O que é uma vitória para nós, pois, se tivéssemos um exemplo de vida hipócrita e legalista, elas seriam as primeiras a desejarem pular fora deste barco. Ao contrário, elas se identificaram e têm prazer no que fazemos, graças à misericórdia de Deus.

O que me surpreendeu nestes dias foi minha caçula, Gisele (10 aninhos), comprar um presente para mim: um chaveiro com forma de sandália, tendo desenhado na sandália uma coruja e a palavra “filosofia”. Nunca conversei com ela diretamente sobre estes assuntos, mas dei-me conta de que ela está de olho em mim, nos meus livros e nas conversas que tenho com outras pessoas.

Mas a surpresa não para aí. Ela também comprou o mesmo chaveirinho para ela e pediu que eu o pendurasse na Bíblia dela. E ela me disse: “Pai, eu quero fazer faculdade de Filosofia”! Abri um sorriso, lembrando-me mais uma vez do Estagirita: “Aprender é o maior de todos os prazeres, não só para o filósofo, mas para toda a humanidade”!            
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